O PRIMEIRO TOURO ADQUIRIDO PELOS NELTHROPP NÃO PARECIA SER UMA RAÇA TAURINA PURA

O primeiro touro adquirido pelos Nelthropp em Trinidad não parecia uma raça taurina pura? Sultan – ou Douglas, segundo a dúvida da anotação feita na época – apresentava ainda batoques que Bromley desconsiderou ao levar o seu novo reprodutor para Saint Croix, a fim de cruzá-lo com as vacas N’Dama aspadas, para tentar cumprir o objetivo de mochar o seu rebanho, para facilitar o manejo e evitar prejuízos _ como ferimentos que as vacas africanas se causavam com os chifres ou aos próprios responsáveis pelo manejo.

O fato é que o resultado começou a aparecer nas primeiras progênies do trabalho desse touro, que resultou em bezerros e bezerras recriando muito resistentes ao calor e à umidade, às doenças e, ainda, desmamando mais pesados e dóceis.

Começava, ali, uma padronização que virou a obsessão dos Nelthropp por mais reprodutores que pudessem manter a evolução genética observada já na primeira geração do que se pode chamar de cruzamento industrial da época. A procura por mais touros teve sequência, como terá essa história no próximo fascículo.

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Vacas africanas com chifres acabavam se machucando e complicando o manejo, por isso a necessidade de mochar o gado com a adoção de cruzamento com um taurino que, além de tudo, padronizasse o gado de Saint Croix.
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ALBERT FILHO MAIS VELHO DE HENRY NELTHROPP FOI O RESPONSÁVEL POR BUSCAR GERAÇÕES MAIS PRODUTIVAS DE ANIMAIS

Albert, o filho mais velho de Henry Nelthropp, era o responsável pelo manejo na fazenda Granard States e “fechou” a seleção para buscar gerações cada vez mais produtivas de animais que pudessem cumprir o objetivo de melhorar o fornecimento de proteína animal na ilha de Saint Croix?

Quem começou a resolver isso em 1918 foi Bromley Nelthropp, irmão mais novo de Albert, que rumou em uma viagem de navio de dois dias para Trinidad, pequena ilha ao sul do Atlântico que forma Trinidad e Tobago, nas Antilhas Menores, onde encontrou e comprou um touro de uma tonelada batizado em Trinidad de Captain Kidd, que ele logo renomeou para Douglas, segundo relatos da negociação _ não confirmados, porque uma anotação escrita a mão por um dos Nelthropp nomeava o touro de Sultan.

Pagou o equivalente a 2 mil dólares junto ao Ministério da Agricultura de Trinidad, que tinha ligação com a Estação Britânica de Pesquisas. E levou esse reprodutor para iniciar o cruzamento com suas vacas africanas em Saint Croix. O resultado disso começamos a mostrar na próxima quinzena.

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Bromley Nelthropp, irmão mais novo da família, foi quem viajou dois dias de navio até Trinidad para buscar o primeiro touro britânico para cobrir a vacada N´Dama em Soint Croix.
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Touro ZT 1876 Berilo, da Grama Senepol, surpreende na desmama em fazenda do MS

A Fazenda Boa Vista, de Nova Andradina/MS, tem o que comemorar com o cruzamento industrial promovido com a adoção do Senepol na sua vacada cruzada (F-1 Angus x Nelore). A utilização de sêmen do touro ZT 1876 Berilo da Grama, qualificado Topázio do Senepol, ajudou a registrar uma desmama média de 290 kg na bezerrada da fazenda, que realiza o ciclo completo em pecuária e há 10 usa taurinos pra fazer meio-sangue e tricross.

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Touro Berilo da Grama, pai da desmama pesada na Fazenda Boa Vista, em Nova Andradina/MS.

Tivemos um ano atípico, com geada e seca prolongada, dificuldade com os pastos e, mesmo assim, o resultado nos surpreendeu, foi muito satisfatório”, conta o zootecnista Douglas Rodrigues, que administra a fazenda.

Segundo ele, a indicação para a escolha dos touros foi de Liliane Sugisawa, que realiza as avaliações de carcaça pela DGT-Brasil no programa Topázio do Senepol, do qual os dois touros foram destaque recentemente.

Escolhemos dois touros – o outro é Fofão da Coroados, da bateria da S+ – por causa dos dados de ultrassonografia de carcaça, com alto índice de AOL tanto até a desmama quanto depois, mais ainda, no confinamento e a tendência é que em breve eles revelem esse potencial”, completa.

É uma fazenda extremamente bem conduzida do ponto de vista de gestão econômica e biológica, que tem acompanhamento, que dá lucro e onde as decisões são todas pautadas na razão e não na emoção e esse resultado vem da confiança que eles tiveram na raça e no uso das informações para alcançar esse objetivo”, conclui Liliane Sugisawa.

No link do vídeo, uma pequena amostra da bezerrada da Fazenda Boa Vista com a desmama pesada de quem provou e gostou da genética selecionada na Grama Senepol. https://www.youtube.com/shorts/oQ6owu3gupY

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Grama Senepol apresenta 40 novos touros Topázio no dia 05/07, pelo Canal do Criador

Quem quer valor agregado, com mais eficiência e em menos tempo, pode programar seu investimento no Leilão Virtual Touros Topázio Grama Senepol “A genética eficiente”, marcado para 5 de julho, terça-feira, 20h, com transmissão pelo Canal do Criador e retransmissão pela Remate Web e Lance Rural. O evento também comercializará pacotes especiais de sêmen dos principais reprodutores líderes de sumário.

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Touros Topázio do Senepol em oferta no leilão da Grama, dia 5/7, 20h, pelo Canal do Criador. (Foto: Jadir Bison)

Todos os animais de 24 meses de média de idade, peso médio de 650 quilos e 40 cm de CE, foram avaliados pelo programa Topázio do Senepol, que acontece dentro do Centro de Qualificação Genética Grama Senepol, o CQG-Senepol, em Pirajuí/SP. A prova tem coordenação do Geneplus-Embrapa e chancela do PMGS, o programa de melhoramento da ABCB-Senepol.

O remate é organizado pela Programa Leilões e terá condições especiais de pagamento, em 40 parcelas, com frete grátis. Todos os lotes estão na playlist do leilão no canal do YouTube da Grama Senepol. É só navegar em www.youtube.com/senepoldagrama e escolher as opções que mais se encaixam na sua necessidade para promover o cruzamento industrial através da monta natural a pasto.

 

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A FAMÍLIA NELTHROPP ABASTECIA PARTE DA POPULAÇÃO DA ILHA DE SAINT CROIX COM UM MINGUADO GADO CHAMADO CRIOULO

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Vacas da raça africana N´Dama, porte médio, resistência a parasitas, pouco leite, mas muita conversão e rendimento: a base genética que deu origem à raça Senepol.

A família Nelthropp vivia numa pequena cadeia de montanhas no centro da Ilha de Saint Croix e já abastecia parte da população com o minguado gado chamado crioulo resultado de várias experiências realizadas ali por alguns criadores? Em 1889, o patriarca Henry Nelthropp fez um grande investimento em uma vacada trazida 30 anos antes num navio negreiro por um quase vizinho, George Elliot. Eram animais da raça N’Dama originária do Oeste do continente africano, preferencialmente de Guiné-Bissau, depois desenvolvida no Sul do Senegal, Mali, Serra Leoa e Costa do Marfim.

Animal de porte médio e resistente a doenças como a do sono, causada pela mosca tsé-tsé, a vaca N´Dama podia atingir um metro até sua altura máxima da paleta e o macho, 1m20, com grande capacidade de conversão do pouco que comia em carne de bom valor nutricional, com pouca gordura. Apesar de até hoje fornecer pouco leite, média de 3 kg/dia, segundo departamento de estudo de raças da Universidade Estadual de Oklahoma, EUA, a fêmea N’Dama desmama suas crias com bom escore, podendo chegar rapidamente aos 300kg. O maior rebanho ainda está no Senegal, com mais de 1 milhão de cabeças de um animal que pode ser abatido com rendimento de carcaça médio de 50%.

Mas era pouco ainda para as exigências de uma terra quente, pobre em pastagens por causa de longas secas e com ameaças de parasitas. Os Nelthropp ainda não estavam satisfeitos e, apesar de a família possuir na fazenda Granard States o maior rebanho de N’Dama da ilha, com 250 cabeças, faltava um componente que agregasse o leite às matrizes. Como isso começou a ser resolvido é o que mostraremos na próxima quinzena.