De frente com as Safiras – Visita foi na fazenda da GRAMA

Fonte: José Luiz Alves Neto / Rural Centro
Editoria: Pecuária

De frente com as Safiras

Programa Safiras do Senepol avalia mérito genético de fêmeas que produzirão os melhores tourinhos para monta natural

A busca pelo cruzamento industrial ganha cada vez mais força na pecuária brasileira porque o choque de sangue é basicamente gratuito e imprime nos bezerros a conhecida heterose. E como o rebanho bovino brasileiro já tem uma “raça mãe” bem estabelecida, que é o Nelore, falta ainda achar um “pai” para os bezerros do futuro, cujo sangue possa ser transmitido nas condições em que a criação de gado de corte exige: a campo e através da monta natural, hoje responsável por aproximadamente 90% da reprodução bovina no país.

É nesta linha de raciocínio que trabalha o Grupo Parceiros do Senepol, uma união de criatórios da raça que busca no conjunto a força para ganhar competitividade e estabelecer no país o animal que por aqui chegou há pouco mais de uma década. “O que nós queremos são matrizes doadoras de embrião, avaliados por rendimento e conformação de carcaça, precocidade sexual e de acabamento. Essas serão as mães dos futuros touros que cobrirão a campo, cumprindo o objetivo do Senepol, que é fazer heterose a pasto”, resume Junior Fernandes, um dos fundadores do grupo e titular do Grama Senepol.

A ferramenta utilizada para apontar com precisão a capacidade das matrizes da raça é o Programa Safiras do Senepol, cujas avaliações começaram em 2009 e são realizadas duas vezes ao ano na Fazenda da Grama, em Pirajuí, SP. Os testes, que reúnem em média 150 novilhas por vez, selecionam as Safiras TOP 10, que são as 10% melhores classificadas acima da média de suas contemporâneas classificadas como doadoras de embriões – e somente elas terão embriões comercializados nos oito leilões anuais do grupo. As matrizes que ficam dentro da média, as Safiras, podem ser comercializadas em leilões ou voltam às fazendas e são utilizadas como doadoras para fazer volume do plantel da raça. Já as que ficam abaixo da média não devem ser coletadas, conforme orientação dos próprios gestores do Parceiros do Senepol, e voltam para suas fazendas ou são comercializadas prenhes dos melhores genearcas da raça para que possam gerar animais cada vez melhores.

Grama SenepolPela chegada recente da raça do Brasil, o grupo busca acelerar através das biotecnologias o processo de melhoramento genético. “É diferente você ter mil matrizes fazendo monta natural a campo que geram um produto por ano ou aplicar as biotecnologias para colher até 30 produtos de uma matriz por estação reprodutiva. Dentro do nosso programa, fazemos isso de acordo com o mérito genético em termos de precocidade, prolificidade, carcaça, racial, biotipo e capacidade de produzir leite, características que são fundamentais para que o Senepol cresça de forma sólida”, detalha Júnior Fernandes, do Grama Senepol.

Biotecnologias
O médico veterinário Rodrigo Untura, sócio fundador da In Vitro Brasil, a maior empresa de fecundação in vitro do mundo, responsável por cerca de 65% do mercado nacional e 40% do mercado mundial através da fecundação de 200 mil embriões por ano, aponta que as biotecnologias são de fato o caminho para acelerar o melhoramento genético bovino e, consequentemente, o giro de capital dentro da porteira. “Um estudo realizado por uma empresa israelense apontou a fecundação in vitro como uma ferramenta capaz de acelerar o melhoramento genético em até cinco gerações  se comparada com a inseminação artificial”, atesta Untura.

A In Vitro Brasil é a responsável por atender boa parte dos criatórios do Grupo Parceiros do Senepol. Ao adquirir embriões das doadoras avaliadas pelo Programa Safiras, o criador paga somente o deslocamento do técnico mais próximo à sua propriedade, mas o serviço de fertilização já está embutido na aquisição dos produtos. Rodrigo Untura acrescenta que a média de oócitos por fêmea Senepol é de 30 por coleta, superior à observada em raças como o Nelore (25 oócitos), Gir (15) e Holandês (5), por exemplo. No Grama Senepol, a média chega a 37 oócitos por coleta.

“Mas o que importa é a validação dos embriões em prenhezes”, pondera o criador Guilherme Zeli, titular do criatório Paranoá Senepol, que tem propriedades em Três Lagoas e Inocência, Mato Grosso do Sul. Neste quesito, o trabalho com a raça também tem se mostrado acima da média. A cada coleta de oócitos, 30% se convertem em embriões. A cada dez embriões implantados, a média de prenhezes varia entre 40% e 50%. No caso do Paranoá Senepol, foram 66% de aproveitamento. “De 21 embriões implantados, 14 viraram prenhezes”, surpreendeu-se Rodrigo Untura.

Eficiência reprodutiva
Vacas SenepolAs novilhas Senepol começam a ciclar em média com 14 meses, mas algumas fêmeas já acusam cio com onze meses e meio, revela o médico veterinário Luciano Aranha, sócio da empresa S+, consultoria reprodutiva voltada 100% para o Senepol. As matrizes avaliadas pelo Safiras ganham certificados que levam todas as suas informações sobre mérito reprodutivo, incluindo quantidade de folículos aspirados e idade ao primeiro cio. Em 2013, a novidade do programa de avaliação é o teste de eficiência alimentar, feito em parceria com o Sistema Intergado, uma tecnologia 100% brasileira que mensura o consumo diário dos animais e sua conversão em peso.

Especificamente neste teste, os dados sobre consumo e ganho de peso serão cruzados com os resultados da ultrassonografia de carcaça de cada uma das novilhas para checar quais delas estão convertendo alimento em mais acabamento de gordura, cuja deposição é a parte mais cara da fase de terminação. Ao fim, os dados serão enviados a um pesquisador da Universidade Federal de Viçosa/MG para que sejam aplicados de forma mais eficiente e condizente com o objetivo do Programa Safiras do Senepol. “As matrizes que saírem daqui vão produzir bezerros que vão tornar o confinamento de gado de corte cada vez mais eficiente”, afirma Marcelo Neves Ribas, diretor do Sistema Intergado.

Ribas explica que a alimentação representa entre 80% e 90% do custo do confinamento, sem contabilizar o custo da reposição. Por isso é complicado para o terminador buscar o animal mais adequado para colocar no cocho. “Ele tem que basear todo seu plantel pelo que é feito pelos criadores, ou seja, tem que confiar muito nos selecionadores, trabalho que é feito justamente pelo Programa Safiras do Senepol”, recomenda o médico veterinário e mestre em nutrição de ruminantes. Veja aqui exemplos de relatório de comportamento das novilhas Senepol e relatório de consumo das novilhas Senepol no teste de eficiência alimentar.

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