Histórico

Senepol é sinônimo de adaptação e precocidade

Nascida nas Ilhas Virgens, raça é cada vez mais utilizada no Brasil

saint croixA raça Senepol, cada vez mais utilizada no Brasil, teve sua origem em 1918, quando Bromlay Nelthropp comprou dois touros Red Poll originários da Inglaterra para introduzir na fazenda de seu pai, Henry C. Neltropp, chamada Grenard’s Estates, localizada nas Ilhas Virgens (Saint Croix). Essa fazenda tinha, desde 1889, a maior criação de gado N’Dama na região, com 250 cabeças, todas mantidas puro-sangue. A intenção era desenvolver um bovino que combinasse aptidões com níveis superiores de produção com as condições ambientais das Ilhas Virgens.

O gado N’Dama era importado do Senegal, África, para a ilha de St. Croix desde 1800. Foi uma excelente alternativa para o Caribe não só por sua resistência ao calor, insetos, parasitas e doenças, mas também pela habilidade de sobrevivência em regiões pobres de pastagens. Com a introdução do Red Poll, cujo intuito era melhorar a habilidade materna, fertilidade e dar caráter mocho aos animais, os Nelthropp criaram sua própria raça, fazendo por vários anos uma seleção objetivando precocidade e eficiência maternal, ausência de chifres e cor vermelha, tolerância ao calor e docilidade. Surgia, aí, a raça Senepol.

Por volta da década de 1940, a combinação genética procurada estava estabelecida. Desde então, o Senepol tem sido criado como sangue puro. Com a dispersão do rebanho Nelthropp para os criadores locais, o registro genético foi mantido por Ward Cannaday e Fritz E. Lawaetze e, em 1954, o nome Senepol foi registrado. “Sene” de Senegal e “Poll” de Red Poll.

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Desde o princípio foram coletadas e guardadas informações sobre os animais, que formaram a atual base do sistema de registro da associação da raça. Em 1976, com um Herd Book estabelecido, os criadores adotaram um programa de testes, através do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) e o College of the Virgin Island Extension Service. Em 1977, o primeiro rebanho foi levado para a área continental dos Estados Unidos. O rebanho cumulativo do gado nas Ilhas Virgens é fechado, sem influências externas.

A raça Senepol tem uma base genética limitada, que foi submetida a seleção rigorosa desde 1918. Esta seleção foi alcançada com a ajuda de seu uso nas Ilhas Virgens, onde era criado com a finalidade de suprir alimento para a população local, com ênfase na produção para abate, sendo que apenas o gado geneticamente superior era reservado para reprodução. Por este motivo, a raça Senepol suporta cruzamento consangüíneo e produz grande grau de heterose no cruzamento com outras raças. O isolamento da raça nas ilhas também serviu para preservá-la das modas e caprichos que de tempos em tempos assaltam a indústria, dando ênfase a características que posteriormente se provam indesejáveis.

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O Senepol é a única raça de Bos Taurus adaptada ao calor e que resiste às doenças tropicais. Estas duas qualidades foram herdadas do N’Dama, assim como foi o peso do bezerro ao nascer (31kg). Do Red Poll, a raça herdou a excelência da carcaça, fertilidade, ausência de chifre e docilidade.É também mais resistente ao frio do que as raças com sangue de Bos Indico.

O Senepol no Brasil

A raça chegou ao Brasil em 1995, com as primeiras doses de sêmen que foram importadas. Em 2000, vieram os primeiros animais para o Brasil, importados dos melhores rebanhos dos EUA e das Ilhas Virgens. A importação inicial envolveu dois líderes genéticos da raça e as melhores fêmeas Senepol com provas fantásticas. Graças a esta genética, os selecionadores brasileiros multiplicaram a qualidade fazendo do Brasil um celeiro da genética mundial.

Fazenda da Grama é uma das fundadoras da associação e foi a pioneira na importação de embriões, em 2000, ao lado da Agropecuária Stéfani e Sacramento Agricultura e Pecuária.

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